10 dezembro, 2006
Mídia brasileira é ameaça à democracia
Entrevista de Paulo Henrique Amorim em NovaE, vale a pena refletir sobre este tema que influencia o rumo da nossa sociedade. Abaixo trecho que considero expressar bem nossa situação, inumeras faculdades onde o vestibular é o holerite do pai e o nome limpo no Serasa, ou universidades públicas cheias de mauricinhos a procura de um diploma.
(...)Agora só existe jornalista de classe média - não tem mais um proletário nas redações. Quando comecei a trabalhar em jornal, trabalhei com muitos proletários e filhos de proletário. E isso não tem mais - é tudo mauricinho. E eles próprios são mais conservadores que seus patrões.
(...)Agora só existe jornalista de classe média - não tem mais um proletário nas redações. Quando comecei a trabalhar em jornal, trabalhei com muitos proletários e filhos de proletário. E isso não tem mais - é tudo mauricinho. E eles próprios são mais conservadores que seus patrões.
24 novembro, 2006
Fora do corpo - Frei Betto
Há na Bíblia uma afirmação intrigante e instigante de Paulo: "Se foi no corpo ou fora do corpo, não sei, Deus é quem sabe." (Segunda carta aos Coríntios 12,2). O apóstolo refere-se a uma experiência mística.Mística é uma palavra que causa estranheza. Há movimentos populares que a empregam como sinônimo de emulação ou animação. Há quem a tome com o significado de entusiasmo, que em grego quer dizer "estar repleto de Deus".
Se o entendimento do que é mística provoca tanta controvérsia, já a experiência mística é mais freqüente do que supomos. Ela é o desdobramento do ego, o sair de si, o deixar-se possuir pelo outro, o descentrar-se para encontrar o centro no próximo. É a paixão amorosa, o sentir-se irresistivelmente atraído para fora de si mesmo. Alguém faz convergir em sua direção todas as energias do apaixonado. De tal modo que este se deixa impregnar pelo objeto de sua paixão, ainda que não possa vê-lo, ouvi-lo ou tocá-lo. O apaixonado sente-se arrebatado e admite que o âmago de seu ser está indelevelmente marcado por aquele outro que não é ele e, no entanto, o faz reviver "fora do corpo". Isso é o amor. E é experiência mística.
Se muitos experimentam a mística, ao menos uma ou duas vezes na vida, em relação ao semelhante, mais raramente há quem a saboreie em relação também ao dessemelhante: Deus. E a expressão desse amor arrebatador, místico, dá-se "fora do corpo". Não é um atributo dos sentidos, que vivem na ilusão de prazeres e afeições que nunca saciam o espírito. O que se vê não enche a vista; nem o que satisfaz a fome exaure o apetite do ser; nem os bens aos quais se apega trazem felicidade. Ao contrário, reforçam o ego e as tendências negativas: a cobiça, a ambição desmedida, a vaidade, o orgulho etc.
O amor apaixonado não decorre da razão. Subverte-a. É enlouquecedor, transcende o raciocínio, a lógica, o discurso conceitualmente articulado dos "bons propósitos". A razão naufraga nas vagas intempestivas do coração. A afeição implode a sensatez do pensamento. Dentro do corpo o amado sente-se "fora do corpo". O objeto da paixão (transcendência) irrompe em meu ser (imanência) e resgata-me pelo lado avesso do ser (profundência).
Uma outra expressão da mística é a arte. Só há verdadeira arte quando se consegue estar "fora do corpo". No balé os movimentos do corpo são uma forma alada de expressar algo intangível, cujo desenho é pincelado pela música e transcende a seqüência dos gestos da bailarina. Não se dança com a cabeça nem com os membros. Dança-se com a alma, numa entrega de si ao ritmo e à melodia que só vibra com densidade artística quando se está "fora do corpo".
O mesmo ocorre em todas as outras expressões de arte. Mas falemos da que me é mais próxima: a literatura. Não se escreve ficção com a cabeça. Escreve-se com o ser, extraindo do mistério pessoal a narrativa que nos espelha o espírito. Essa narrativa é "fora do corpo", imponderável e, no entanto, é a Palavra que biblicamente organiza o caos e cria o ser. E essa Palavra vem de "fora do corpo" e vai para "fora do corpo".
Talvez isso explique um dos fenômenos mais inquietantes da pós-modernidade: a morte da estética. Pois se a modernidade arrancou do palco a fé e a substituiu pela razão, a pós-modernidade despreza a razão para idolatrar o corpo. O que importa agora é a "estética" do corpo. É a beleza - não das infinitas possibilidades de expressão do corpo, aquelas que se expressam "fora do corpo" - mas a estética do corpo-em-si, retido à sua constituição física, orgânica, modelado segundo padrões fisiculturistas: magro, atlético e aparentemente jovem.
Essa corporalização da estética faz definhar o espírito e opera a inversão de Narciso. Narciso contemplava-se porque era belo. Na inversão não há beleza, há um padrão de formas, que suplica reconhecimento aos olhos alheios - o espelho narcísico invertido. Vejam em mim a beleza que julgo ter…
A beleza é algo que emana - da pessoa, da pintura, da escultura, da poesia… Não está propriamente no corpo, nas cores da tela, na materialidade da escultura, nas letras do alfabeto unidas em vocábulos no poema. Está "fora do corpo", porque irrompe do mais profundo do ser e atravessa a corporalidade do artista e de quem é tocado pela obra de arte. Assim, sacia o espírito. É imortal. "Deus é quem sabe". A estética pós-moderna é pobre porque feita para consumo, e não para enlevar, elevar, arrebatar. Seu maior defeito é ser prisioneira do corpo.
Frei Betto é Frei dominicano. Escritor.
Publicado originalmente no Adital
Se o entendimento do que é mística provoca tanta controvérsia, já a experiência mística é mais freqüente do que supomos. Ela é o desdobramento do ego, o sair de si, o deixar-se possuir pelo outro, o descentrar-se para encontrar o centro no próximo. É a paixão amorosa, o sentir-se irresistivelmente atraído para fora de si mesmo. Alguém faz convergir em sua direção todas as energias do apaixonado. De tal modo que este se deixa impregnar pelo objeto de sua paixão, ainda que não possa vê-lo, ouvi-lo ou tocá-lo. O apaixonado sente-se arrebatado e admite que o âmago de seu ser está indelevelmente marcado por aquele outro que não é ele e, no entanto, o faz reviver "fora do corpo". Isso é o amor. E é experiência mística.
Se muitos experimentam a mística, ao menos uma ou duas vezes na vida, em relação ao semelhante, mais raramente há quem a saboreie em relação também ao dessemelhante: Deus. E a expressão desse amor arrebatador, místico, dá-se "fora do corpo". Não é um atributo dos sentidos, que vivem na ilusão de prazeres e afeições que nunca saciam o espírito. O que se vê não enche a vista; nem o que satisfaz a fome exaure o apetite do ser; nem os bens aos quais se apega trazem felicidade. Ao contrário, reforçam o ego e as tendências negativas: a cobiça, a ambição desmedida, a vaidade, o orgulho etc.
O amor apaixonado não decorre da razão. Subverte-a. É enlouquecedor, transcende o raciocínio, a lógica, o discurso conceitualmente articulado dos "bons propósitos". A razão naufraga nas vagas intempestivas do coração. A afeição implode a sensatez do pensamento. Dentro do corpo o amado sente-se "fora do corpo". O objeto da paixão (transcendência) irrompe em meu ser (imanência) e resgata-me pelo lado avesso do ser (profundência).
Uma outra expressão da mística é a arte. Só há verdadeira arte quando se consegue estar "fora do corpo". No balé os movimentos do corpo são uma forma alada de expressar algo intangível, cujo desenho é pincelado pela música e transcende a seqüência dos gestos da bailarina. Não se dança com a cabeça nem com os membros. Dança-se com a alma, numa entrega de si ao ritmo e à melodia que só vibra com densidade artística quando se está "fora do corpo".
O mesmo ocorre em todas as outras expressões de arte. Mas falemos da que me é mais próxima: a literatura. Não se escreve ficção com a cabeça. Escreve-se com o ser, extraindo do mistério pessoal a narrativa que nos espelha o espírito. Essa narrativa é "fora do corpo", imponderável e, no entanto, é a Palavra que biblicamente organiza o caos e cria o ser. E essa Palavra vem de "fora do corpo" e vai para "fora do corpo".
Talvez isso explique um dos fenômenos mais inquietantes da pós-modernidade: a morte da estética. Pois se a modernidade arrancou do palco a fé e a substituiu pela razão, a pós-modernidade despreza a razão para idolatrar o corpo. O que importa agora é a "estética" do corpo. É a beleza - não das infinitas possibilidades de expressão do corpo, aquelas que se expressam "fora do corpo" - mas a estética do corpo-em-si, retido à sua constituição física, orgânica, modelado segundo padrões fisiculturistas: magro, atlético e aparentemente jovem.
Essa corporalização da estética faz definhar o espírito e opera a inversão de Narciso. Narciso contemplava-se porque era belo. Na inversão não há beleza, há um padrão de formas, que suplica reconhecimento aos olhos alheios - o espelho narcísico invertido. Vejam em mim a beleza que julgo ter…
A beleza é algo que emana - da pessoa, da pintura, da escultura, da poesia… Não está propriamente no corpo, nas cores da tela, na materialidade da escultura, nas letras do alfabeto unidas em vocábulos no poema. Está "fora do corpo", porque irrompe do mais profundo do ser e atravessa a corporalidade do artista e de quem é tocado pela obra de arte. Assim, sacia o espírito. É imortal. "Deus é quem sabe". A estética pós-moderna é pobre porque feita para consumo, e não para enlevar, elevar, arrebatar. Seu maior defeito é ser prisioneira do corpo.
Frei Betto é Frei dominicano. Escritor.
Publicado originalmente no Adital
14 novembro, 2006
Veja caiu - Marcelo Tas

Veja na integra mais este absurdo do folhetim Veja... Boicote a revistinha!!
(...) O resumo do blablablá é o seguinte: quem se sentir ofendido por Veja deve ficar bem quietinho. Se a Veja julgar que errou, publica a sua carta. Senão, final de conversa. Vale a "verdade" autoritária de Veja.
O Brasil, especialmente a sua elite, é sempre surpreendente: se posiciona com certeza e arrogância pontuais na vanguarda do atraso. A revista Veja- ainda a maior semanal do Brasil- neste episódio deixa claro que desconhece e despreza a força da internet. Em plena era da comunicação total, Veja acredita que é possível mentir, agredir e sair impune sem ninguém ficar sabendo . Veja vai contra a liberdade de expressão. Ou melhor, Veja é a favor da liberdade de expressão mas só quando tal liberdade for a favor dela própria. Veja não se preparou para o século 21. Enquanto a revolução digital sacode o planeta, uns pobres diabos são pagos para ficar trancados dentro daquele predião deficitário na Marginal Pinheiros gastando neurônios para parir a próxima edição do tablóide de malvadezas e leviandades rasas que se tornou amargamente essa revista.(...)
13 novembro, 2006
Estou de férias
28 outubro, 2006
BOP!

Fui adotado depois de ter sido abandonado na porta de uma família que me acolheu, me deu a oportunidade de dividir a comida com o Ming, me deu trabalho digno aos 3 anos, me ensinou a fazer a própria roupa com retalhos e panos de chão, por isto e muito mais tenho este cara como meu irmão de verdade, o Victor me ensinou muito qual era meu lugar.
Acessem o BOP!, este blog é bem pouco ilustrado, porém tem várias receitas tiradas da Ana Maria e links de sites de sacanagem.
Também tem as aventuras do Rocki Ombro, críticas de cinema, teatro, música, e não menos importante, intervensões espertas de jornalistas, acadêmicos e afins... Realmente vale a pena!
www.victorbop.blogspot.com
Geral do quê mesmo?

-Vamos fazer uma ´´geral``, abandonar a sala e deixar o professor sozinho... Em uma sexta feira, com este calor repentino, nada melhor que cabular o compromisso e tomar aquela gelada. É desta maneira que milhões de aplicados alunos abandonam suas classes e partem para novas aventuras.
Nesta sexta existia uma outra pessoa que devia estar pensando em gazear um compromisso, simular uma dor de barriga, ou mentir que perdeu o ônibus, mas não deu, e se deu mal, mais uma vez.
Já tem passarinho fazendo cocô no passarinho debaixo, outros já bateram asas e fugiram...
21 outubro, 2006
19 outubro, 2006
Devolução da Bolsa
Entendo a indignação de muitos pelos atos falhos de alguns integrantes do partido dos trabalhadores, é impossível ficar passivo aos acontecimentos divulgados agora pela imprensa. Entendo também que para a classe média pouca coisa tenha mudado nos últimos 4 anos, pois não tem necessidade de programas sociais.
Agora tem outras coisas que merecem comentários, como o fato de milhões de pessoas ter o direito a fazer três refeições ao dia, isto significa muito mais do que alguns Reais, significa dignidade. Para entender, o programa Bolsa Família beneficia famílias que tem renda mensal de até R$ 120,00 por pessoa, e o benefício varia de R$ 15,00 à 95,00. Para manter o beneficio as famílias tem que comprovar, em contra partida, a frequencia dos filhos na escola, vacinação em dia e pré natal quando for o caso. Não é simplesmente dar dinheiro para pobre, é torná-lo integrado a sociedade. Quem não tem comida na mesa, não tem como frequentar a escola em condições, quem não tem possibilidade de comprar um par de sapatos, uma camisa e uma calça, dificilmente tem condições de procurar um emprego. Não basta ter um curso profissionalizante gratuito, se as pessoas não podem ter a dignidade de estarem saciados da fome e sede, limpos e vestidos.
O programa visa a distribuição de renda, e este é ponto. A grande diferença é entre a política social do Presidente Lula e a política neoliberal do PSDB/PFL. Eles sempre visam a distribuição do capital entre a elite, financiando bancos e instituições financeiras, fazendeiros, especuladores, multinacionais, e vendem todo patrimônio publico como fossem deles e para eles. Realmente para os tucanos capitaneados agora pelo Chuchu, devolver o dinheiro para pobre é um desperdício.
O atual governo não está dando dinheiro algum, está apenas devolvendo parte daquilo que foi extraído do povo durante muitos anos, através da exploração descabida e insensata da elite, que tem o poder de decidir salários cada vez mais mínimos, diminuição da mão de obra, investimentos financiados para altas tecnologias importadas e lucros exorbitantes.
Sinceramente, acreditar que o Chuchu é uma alternativa nova de um programa ético e democrático, é no mínimo desconhecimento histórico, e com certeza memória fraca. A compra de votos para a reeleição de FHC, o Juiz Lalau, venda indiscriminada do patrimônio público, procurador e polícia nas mãos, entre muitas outras falcatruas que nem eu e nem você temos conhecimento, porque a Rede Globo, a Veja, a Folha de São Paulo, Gazeta do Povo e outras tantas, pertencem a eles, e a informação que nos chega, só nos é dada se for interessante a eles. Os impostos e juros altos são decorrentes das práticas econômicas dos últimos quatro anos?
Antes de tudo, acredito muito que mudanças são possíveis, a esperança persiste em existir em mim, e sonho com uma sociedade justa, organizada e igualitária. Acredito na cultura popular do povo brasileiro, e acredito que diminuiremos tanta corrupção, crime e injustiças. Mas sou consciente que não será de imediato que tudo será resolvido, não é como uma grande reestruturação de uma empresa, numa nação as coisas são diferentes.
Votar no Lula é a solução? Assim como você, penso que não. Mas com certeza é a melhor opção, pois estamos no início de um processo de mudança cultural, e temos que parar de ser imediatistas e simplistas, e pensar no futuro. Temos que ter senso de prioridade, e pensar em sociedade.
Política não é uma ciência exata, depende de sensibilidade. Não se aprende política em cadeiras almofadadas e salas climatizadas de faculdades muitas vezes caça-níqueis, política vem de todos e para todos.
Ao contrário do que dizem, acho que a maior felicidade é saber que o Presidente será reeleito pelo povo, que mais necessita de políticas públicas.
Agora tem outras coisas que merecem comentários, como o fato de milhões de pessoas ter o direito a fazer três refeições ao dia, isto significa muito mais do que alguns Reais, significa dignidade. Para entender, o programa Bolsa Família beneficia famílias que tem renda mensal de até R$ 120,00 por pessoa, e o benefício varia de R$ 15,00 à 95,00. Para manter o beneficio as famílias tem que comprovar, em contra partida, a frequencia dos filhos na escola, vacinação em dia e pré natal quando for o caso. Não é simplesmente dar dinheiro para pobre, é torná-lo integrado a sociedade. Quem não tem comida na mesa, não tem como frequentar a escola em condições, quem não tem possibilidade de comprar um par de sapatos, uma camisa e uma calça, dificilmente tem condições de procurar um emprego. Não basta ter um curso profissionalizante gratuito, se as pessoas não podem ter a dignidade de estarem saciados da fome e sede, limpos e vestidos.
O programa visa a distribuição de renda, e este é ponto. A grande diferença é entre a política social do Presidente Lula e a política neoliberal do PSDB/PFL. Eles sempre visam a distribuição do capital entre a elite, financiando bancos e instituições financeiras, fazendeiros, especuladores, multinacionais, e vendem todo patrimônio publico como fossem deles e para eles. Realmente para os tucanos capitaneados agora pelo Chuchu, devolver o dinheiro para pobre é um desperdício.
O atual governo não está dando dinheiro algum, está apenas devolvendo parte daquilo que foi extraído do povo durante muitos anos, através da exploração descabida e insensata da elite, que tem o poder de decidir salários cada vez mais mínimos, diminuição da mão de obra, investimentos financiados para altas tecnologias importadas e lucros exorbitantes.
Sinceramente, acreditar que o Chuchu é uma alternativa nova de um programa ético e democrático, é no mínimo desconhecimento histórico, e com certeza memória fraca. A compra de votos para a reeleição de FHC, o Juiz Lalau, venda indiscriminada do patrimônio público, procurador e polícia nas mãos, entre muitas outras falcatruas que nem eu e nem você temos conhecimento, porque a Rede Globo, a Veja, a Folha de São Paulo, Gazeta do Povo e outras tantas, pertencem a eles, e a informação que nos chega, só nos é dada se for interessante a eles. Os impostos e juros altos são decorrentes das práticas econômicas dos últimos quatro anos?
Antes de tudo, acredito muito que mudanças são possíveis, a esperança persiste em existir em mim, e sonho com uma sociedade justa, organizada e igualitária. Acredito na cultura popular do povo brasileiro, e acredito que diminuiremos tanta corrupção, crime e injustiças. Mas sou consciente que não será de imediato que tudo será resolvido, não é como uma grande reestruturação de uma empresa, numa nação as coisas são diferentes.
Votar no Lula é a solução? Assim como você, penso que não. Mas com certeza é a melhor opção, pois estamos no início de um processo de mudança cultural, e temos que parar de ser imediatistas e simplistas, e pensar no futuro. Temos que ter senso de prioridade, e pensar em sociedade.
Política não é uma ciência exata, depende de sensibilidade. Não se aprende política em cadeiras almofadadas e salas climatizadas de faculdades muitas vezes caça-níqueis, política vem de todos e para todos.
Ao contrário do que dizem, acho que a maior felicidade é saber que o Presidente será reeleito pelo povo, que mais necessita de políticas públicas.
17 outubro, 2006
16 outubro, 2006
Veja a nojeira da Veja
A "legenda" de Veja, por Valter Pomar
A revista Veja continua em campanha aberta contra Lula e contra o PT.
Na semana passada, trouxe Alckmin na capa, com o título "O desafiante". A revista foi exibida, em tamanho gigante, em outdoors espalhados em muitas cidades do país. A coisa foi tão escandalosa que o TSE concedeu liminar ao PT e mandou retirar a gigantografia das ruas.
Nesta semana, a capa de Veja está até discreta. Mas o conteúdo está para lá de agressivo.
Um exemplo disso é a seção "Veja essa", que reproduz 15 frases que a revista julga interessantes. Das quinze, nove são contra o PT. Das outras seis, nenhuma ataca o PSDB ou qualquer outro Partido.
Vale dizer que entre as frases, pinçadas certamente ao acaso, há uma que fala dos “vagabundos do PT” e outra que diz assim: “se a gente pudesse esmagar o PT com o dedo, a gente esmagava”.
Outro exemplo é a seção Radar, que afirma que o PT teria colocado “sua turma da pesada” para investigar um delegado da Polícia Federal.
Como é público e notório, inclusive divulgado pela própria Veja, o delegado Edmilson Bruno está sob investigação interna da própria Polícia Federal, por seu envolvimento num episódio descrito em detalhes pela revista Carta Capital desta semana.
O delegado Bruno entregou para a imprensa material da Polícia Federal, com o objetivo explícito e assumido de prejudicar o PT e a candidatura Lula.
Mas, para Veja, o moço é uma pobre vítima da "turma da pesada".
Veja traz, ainda, três matérias dedicadas a atacar diretamente o PT. Uma delas, de capa, faz uma tentativa desesperada para manter Freud Godoy na alça de mira.
Compreensível o desespero de Veja. Todas as investigações demonstram que Freud não tem nenhum envolvimento com o episódio do dossiê. Com isso, dissolve-se no ar o delírio lacerdista, que fazia de Freud uma versão petista de Gregório Fortunato.
Claro que este desfecho não é aceitável, para um jornalismo engajado ao estilo de Veja. Assim, a revista trata de criar uma história e busca envolver nela mais personagens, num estilo conhecido popularmente como "ventilador".
Outra matéria acusa o PT de ter sido beneficiário de recursos financeiros destinados a pagar propaganda institucional do governo federal. Tanto quanto a primeira matéria, trata-se de assunto requentado.
A novidade está na terceira matéria, intitulada “O terrorismo do PT”.
A expressão terrorismo, especialmente nos dias que correm, tem um sentido muito preciso: trata-se de atacar militarmente civis desarmados, vitimando inocentes.
Pessoas de boa-fé poderiam imaginar que Veja utiliza o termo noutra acepção, popularizada pelo cinema: a de “causar medo”.
Neste caso, a expressão “terrorismo eleitoral” teria um significado polêmico, incorreto de nosso ponto de vista, mas jornalisticamente aceitável.
Acontece que a revista publica, para ilustrar a matéria, uma foto do presidente nacional em exercício do PT, acompanhada da seguinte legenda: “O bin laden Marco Aurélio Garcia: missão de espalhar o terror”.
A legenda de Veja é um golpe nas pessoas de boa-fé: ao utilizar o termo terrorismo, Veja quer mesmo estabelecer vínculos entre o PT e as ações de organizações como a Al Qaeda.
Este vínculo, por óbvio, não existe. O PT sempre condenou ações terroristas, venham de onde vier, inclusive quando partem de uma potência como os Estados Unidos.
Associar a imagem do Partido e seu presidente a um terrorista, é algo ofensivo e inaceitável. E só confirma que a revista tomou partido na disputa eleitoral.
Afinal, a própria revista reconhece --em matéria publicada esta semana e intitulada “Vivam as privatizações”-- que o candidato à presidência da República, ex-governador Geraldo Alckmin, “defende com timidez” a venda de estatais.
É compreensível que Alckmin seja "tímido": os tempos mudaram. Há dez anos, falar mal das privatizações era eleitoralmente prejudicial. Hoje, defender as privatizações é que faz perder votos.
Tímido ou não, Alckmin tem uma história que não pode ser desconhecida. Os doze anos de governo tucano em São Paulo, os oito anos de FHC no governo federal, bem como as declarações do próprio candidato Geraldo Alckmin e de seus assessores, confirmam: uma hipotética vitória de Alckmin seria a volta da turma da privataria.
Para Veja, falar disso é fazer "terrorismo eleitoral". Para o site da campanha Alckmin, defender esta opinião política seria adotar os mesmos métodos que Collor utilizou contra Lula. Para o ex-comunista e ex-peemedebista Alberto Goldman, falar em "risco Alckmin" é adotar o mesmo método de Goebbels.
Gozada esta gente. Eles se acham no direito de dizer qualquer barbaridade a nosso respeito. Atacam o PT, o governo, Lula e seus familiares. Mas se a gente reage, citando fatos e declarações absolutamente verdadeiras e divulgados pela própria imprensa, eles ficam ofendidos.
O gozado é que eles ficam ofendidos mesmo. Sabem o motivo? É por que se consideram cidadãos acima de qualquer suspeita. Quem viu o filme, sabe do que estou falando.
Valter PomarSecretário de relações internacionais do PT
A revista Veja continua em campanha aberta contra Lula e contra o PT.
Na semana passada, trouxe Alckmin na capa, com o título "O desafiante". A revista foi exibida, em tamanho gigante, em outdoors espalhados em muitas cidades do país. A coisa foi tão escandalosa que o TSE concedeu liminar ao PT e mandou retirar a gigantografia das ruas.
Nesta semana, a capa de Veja está até discreta. Mas o conteúdo está para lá de agressivo.
Um exemplo disso é a seção "Veja essa", que reproduz 15 frases que a revista julga interessantes. Das quinze, nove são contra o PT. Das outras seis, nenhuma ataca o PSDB ou qualquer outro Partido.
Vale dizer que entre as frases, pinçadas certamente ao acaso, há uma que fala dos “vagabundos do PT” e outra que diz assim: “se a gente pudesse esmagar o PT com o dedo, a gente esmagava”.
Outro exemplo é a seção Radar, que afirma que o PT teria colocado “sua turma da pesada” para investigar um delegado da Polícia Federal.
Como é público e notório, inclusive divulgado pela própria Veja, o delegado Edmilson Bruno está sob investigação interna da própria Polícia Federal, por seu envolvimento num episódio descrito em detalhes pela revista Carta Capital desta semana.
O delegado Bruno entregou para a imprensa material da Polícia Federal, com o objetivo explícito e assumido de prejudicar o PT e a candidatura Lula.
Mas, para Veja, o moço é uma pobre vítima da "turma da pesada".
Veja traz, ainda, três matérias dedicadas a atacar diretamente o PT. Uma delas, de capa, faz uma tentativa desesperada para manter Freud Godoy na alça de mira.
Compreensível o desespero de Veja. Todas as investigações demonstram que Freud não tem nenhum envolvimento com o episódio do dossiê. Com isso, dissolve-se no ar o delírio lacerdista, que fazia de Freud uma versão petista de Gregório Fortunato.
Claro que este desfecho não é aceitável, para um jornalismo engajado ao estilo de Veja. Assim, a revista trata de criar uma história e busca envolver nela mais personagens, num estilo conhecido popularmente como "ventilador".
Outra matéria acusa o PT de ter sido beneficiário de recursos financeiros destinados a pagar propaganda institucional do governo federal. Tanto quanto a primeira matéria, trata-se de assunto requentado.
A novidade está na terceira matéria, intitulada “O terrorismo do PT”.
A expressão terrorismo, especialmente nos dias que correm, tem um sentido muito preciso: trata-se de atacar militarmente civis desarmados, vitimando inocentes.
Pessoas de boa-fé poderiam imaginar que Veja utiliza o termo noutra acepção, popularizada pelo cinema: a de “causar medo”.
Neste caso, a expressão “terrorismo eleitoral” teria um significado polêmico, incorreto de nosso ponto de vista, mas jornalisticamente aceitável.
Acontece que a revista publica, para ilustrar a matéria, uma foto do presidente nacional em exercício do PT, acompanhada da seguinte legenda: “O bin laden Marco Aurélio Garcia: missão de espalhar o terror”.
A legenda de Veja é um golpe nas pessoas de boa-fé: ao utilizar o termo terrorismo, Veja quer mesmo estabelecer vínculos entre o PT e as ações de organizações como a Al Qaeda.
Este vínculo, por óbvio, não existe. O PT sempre condenou ações terroristas, venham de onde vier, inclusive quando partem de uma potência como os Estados Unidos.
Associar a imagem do Partido e seu presidente a um terrorista, é algo ofensivo e inaceitável. E só confirma que a revista tomou partido na disputa eleitoral.
Afinal, a própria revista reconhece --em matéria publicada esta semana e intitulada “Vivam as privatizações”-- que o candidato à presidência da República, ex-governador Geraldo Alckmin, “defende com timidez” a venda de estatais.
É compreensível que Alckmin seja "tímido": os tempos mudaram. Há dez anos, falar mal das privatizações era eleitoralmente prejudicial. Hoje, defender as privatizações é que faz perder votos.
Tímido ou não, Alckmin tem uma história que não pode ser desconhecida. Os doze anos de governo tucano em São Paulo, os oito anos de FHC no governo federal, bem como as declarações do próprio candidato Geraldo Alckmin e de seus assessores, confirmam: uma hipotética vitória de Alckmin seria a volta da turma da privataria.
Para Veja, falar disso é fazer "terrorismo eleitoral". Para o site da campanha Alckmin, defender esta opinião política seria adotar os mesmos métodos que Collor utilizou contra Lula. Para o ex-comunista e ex-peemedebista Alberto Goldman, falar em "risco Alckmin" é adotar o mesmo método de Goebbels.
Gozada esta gente. Eles se acham no direito de dizer qualquer barbaridade a nosso respeito. Atacam o PT, o governo, Lula e seus familiares. Mas se a gente reage, citando fatos e declarações absolutamente verdadeiras e divulgados pela própria imprensa, eles ficam ofendidos.
O gozado é que eles ficam ofendidos mesmo. Sabem o motivo? É por que se consideram cidadãos acima de qualquer suspeita. Quem viu o filme, sabe do que estou falando.
Valter PomarSecretário de relações internacionais do PT
13 outubro, 2006
Ops, dei... e daí?
Não tenho vergonha de dizer que dei, afinal é meu, estou no meu direito. Sem preconceitos, não adianta me criticar, fiz o que tinha que fazer, temos que respeitar as opções. Pode achar que foi precipitado, mas pensei bem antes de fazê-lo. Assumo porque não fui só eu, tive como referência algumas pessoas importantes.
O primeiro é uma cidadão muito bem conceituado, de família tradicional, sempre assumiu, inclusive junto com seu pai, e o povo adora ele. Foi em 2004, com o sorriso aberto e mangas arregaçadas que ele conquistou o meu. Não fui só eu, pois Beto agora é nosso.
Conheci outro no interior que também sempre foi assumido, um grande moço, Plauto sempre dá tudo a nosso favor.
Tem também alguém que demorou a assumir, já até pareceu diferente, mas ele gosta mesmo é do centro. Álvaro bota maior moral, e nestas questões sempre está firme na posição.
Então eu também assumo, dei sim, consciente que o meu era dele e sempre será, e não adianta os esquentadinhos mulambos ficarem com gracinhas, eu adoro Chuchu, dá em qualquer lugar, bem popular como nosso candidato.
Incrível a semelhança, por isto que gosto desta turma, não parece partido político, deve ser franquia, um padrão que dá inveja ao Mc Donalds, primeiro para entrar tem que ter capital, afinal posso confiar em quem já tem manha em lidar com dinheiro, é bonito ver gente que tem grana, é imponente, dá vontade de ser igual, parece meu patrão. Sempre com a camisa bem alinhada, fundamental estar com as mangas arregaçadas com a impressão que está fazendo algum esforço, cabelo bem penteado mesmo quando estiver com um capacete demonstrando o quanto gostam de obras e câmeras. E o marketing, cores alegres, amarelo e azul desbotados são minhas cores favoritas, me lembra o Boca Juniors.
E é por isto que dei e assumo, assim como Beto, Plauto e Álvaro são assumidos, o nosso voto é do Chuchu!
* Nota: Nunca vou votar em candidato que não tem um dedo, prefiro os com dez, pois assim diminui o perigo de meu dinheiro escapar de suas mãos.
O primeiro é uma cidadão muito bem conceituado, de família tradicional, sempre assumiu, inclusive junto com seu pai, e o povo adora ele. Foi em 2004, com o sorriso aberto e mangas arregaçadas que ele conquistou o meu. Não fui só eu, pois Beto agora é nosso.
Conheci outro no interior que também sempre foi assumido, um grande moço, Plauto sempre dá tudo a nosso favor.
Tem também alguém que demorou a assumir, já até pareceu diferente, mas ele gosta mesmo é do centro. Álvaro bota maior moral, e nestas questões sempre está firme na posição.
Então eu também assumo, dei sim, consciente que o meu era dele e sempre será, e não adianta os esquentadinhos mulambos ficarem com gracinhas, eu adoro Chuchu, dá em qualquer lugar, bem popular como nosso candidato.
Incrível a semelhança, por isto que gosto desta turma, não parece partido político, deve ser franquia, um padrão que dá inveja ao Mc Donalds, primeiro para entrar tem que ter capital, afinal posso confiar em quem já tem manha em lidar com dinheiro, é bonito ver gente que tem grana, é imponente, dá vontade de ser igual, parece meu patrão. Sempre com a camisa bem alinhada, fundamental estar com as mangas arregaçadas com a impressão que está fazendo algum esforço, cabelo bem penteado mesmo quando estiver com um capacete demonstrando o quanto gostam de obras e câmeras. E o marketing, cores alegres, amarelo e azul desbotados são minhas cores favoritas, me lembra o Boca Juniors.
E é por isto que dei e assumo, assim como Beto, Plauto e Álvaro são assumidos, o nosso voto é do Chuchu!
* Nota: Nunca vou votar em candidato que não tem um dedo, prefiro os com dez, pois assim diminui o perigo de meu dinheiro escapar de suas mãos.
Ingenuidade
Olá pessoas...
A grande motivação para que eu criasse este espaço foi dada por um professor meu, após ter reenviado por e-mail um texto (não de minha autoria) sobre os motivos que me levaria optar pelo Chuchu, ele respondeu:
"Cuidado, ingenuidade demais leva a desgraça!!!"
Então respondi, e assim deu início a criação do Chappaquá! Obrigado Albano, os professores são nossas referências...
+++
in.ge.nu.i.da.de
(u-i), s. f. 1. Qualidade de ingênuo. 2. Simplicidade extrema. 3. Ato ou dito ingênuo.
in.gê.nuo
adj. 1. Inocente, natural. 2. Simples. S. m. 1. Pessoa ingênua. 2. Filho de escrava nascido depois da lei da emancipação.
Caro Professor,
Meu pobre português de escola pública, e a ajuda ao Michaelis me faz lembrar que o antônimo de ingênuo é malicioso. A grande malícia extrativista herdada dos barões escravistas está fundamentada na mentalidade neoliberal dos partidos de direita, o qual o "Chuchu" é o grande representante de plástico atual. O poder pelo poder dos reacionários. A figura de cabelo lambido, camisa bem passada, bons modos na mesa, tomando somente suco natural com adoçante, religioso fanático, isto sim me faz lembrar que muitos ingênuos são levados pela aparência, pelo costume de ver o engomado no poder, pois este deve ser bom, pois parece o patrão.
Ser ingênuo pode ser acreditar no discurso moralista de um candidato que diz ser o "Caçador de Marajás", e sabemos no que deu. Ser ingênuo pode ser acreditar que vendendo as empresas públicas como a Petrobrás o Brasil melhorará. Ser ingênuo é acreditar no discurso hipócrita de se discutir ética e afirmar acabar com a corrupção, sendo que a prática não corresponde ao dito. Ser ingênuo é cobrar do Lula a origem de dólares como se o presidente fosse a Mãe Diná. Ser ingênuo é cobrar punições aos envolvidos com a compra do dossiê e nem dar conta que o documento descrevia envolvimento dos tucanos na máfia das ambulâncias. Ser ingênuo é acreditar na Veja como se fosse Bíblia e achar bonito outdoors espalhados por São Paulo com a foto do Chuchu na propaganda da revista.
Sinceramente acredito que extremos não são bons, ser muito inocente é perigoso e podemos ser enganados, ser muito malicioso pode levar a corrupção, mas quero usar minha ingenuidade e malícia e contribuir para uma sociedade melhor.
Sim, quero ser ingênuo e acreditar que existe um mundo melhor e não correr o risco de alguém decidir que isto é bobagem e ter que me acostumar a ser coadjuvante, quero ser simples como a grande maioria do povo, quero acreditar ser natural uma pessoa comer três refeições no dia, quero me emancipar da exploração do patrão, quero me manter na condição de inocente mesmo que o denuncismo me culpe sem provas, quero manter e adquirir mais direitos e conquistar casa, conforto, diversão, saúde, transporte, assim como todos de forma igualitária.
Desculpe, mas menti, e esta foi minha malícia. Não vou votar no Chuchu, porque não encontrei meu título de eleitor no lixo e quero sinceramente que eu, você, o pessoal da faculdade, do trabalho, do meu bairro, da minha cidade, estado e todos deste Brasil tenham direitos e oportunidades iguais.
Eu reafirmo meu voto no Lula, sem medo de ser feliz!
Abraços!!!!
A grande motivação para que eu criasse este espaço foi dada por um professor meu, após ter reenviado por e-mail um texto (não de minha autoria) sobre os motivos que me levaria optar pelo Chuchu, ele respondeu:
"Cuidado, ingenuidade demais leva a desgraça!!!"
Então respondi, e assim deu início a criação do Chappaquá! Obrigado Albano, os professores são nossas referências...
+++
in.ge.nu.i.da.de
(u-i), s. f. 1. Qualidade de ingênuo. 2. Simplicidade extrema. 3. Ato ou dito ingênuo.
in.gê.nuo
adj. 1. Inocente, natural. 2. Simples. S. m. 1. Pessoa ingênua. 2. Filho de escrava nascido depois da lei da emancipação.
Caro Professor,
Meu pobre português de escola pública, e a ajuda ao Michaelis me faz lembrar que o antônimo de ingênuo é malicioso. A grande malícia extrativista herdada dos barões escravistas está fundamentada na mentalidade neoliberal dos partidos de direita, o qual o "Chuchu" é o grande representante de plástico atual. O poder pelo poder dos reacionários. A figura de cabelo lambido, camisa bem passada, bons modos na mesa, tomando somente suco natural com adoçante, religioso fanático, isto sim me faz lembrar que muitos ingênuos são levados pela aparência, pelo costume de ver o engomado no poder, pois este deve ser bom, pois parece o patrão.
Ser ingênuo pode ser acreditar no discurso moralista de um candidato que diz ser o "Caçador de Marajás", e sabemos no que deu. Ser ingênuo pode ser acreditar que vendendo as empresas públicas como a Petrobrás o Brasil melhorará. Ser ingênuo é acreditar no discurso hipócrita de se discutir ética e afirmar acabar com a corrupção, sendo que a prática não corresponde ao dito. Ser ingênuo é cobrar do Lula a origem de dólares como se o presidente fosse a Mãe Diná. Ser ingênuo é cobrar punições aos envolvidos com a compra do dossiê e nem dar conta que o documento descrevia envolvimento dos tucanos na máfia das ambulâncias. Ser ingênuo é acreditar na Veja como se fosse Bíblia e achar bonito outdoors espalhados por São Paulo com a foto do Chuchu na propaganda da revista.
Sinceramente acredito que extremos não são bons, ser muito inocente é perigoso e podemos ser enganados, ser muito malicioso pode levar a corrupção, mas quero usar minha ingenuidade e malícia e contribuir para uma sociedade melhor.
Sim, quero ser ingênuo e acreditar que existe um mundo melhor e não correr o risco de alguém decidir que isto é bobagem e ter que me acostumar a ser coadjuvante, quero ser simples como a grande maioria do povo, quero acreditar ser natural uma pessoa comer três refeições no dia, quero me emancipar da exploração do patrão, quero me manter na condição de inocente mesmo que o denuncismo me culpe sem provas, quero manter e adquirir mais direitos e conquistar casa, conforto, diversão, saúde, transporte, assim como todos de forma igualitária.
Desculpe, mas menti, e esta foi minha malícia. Não vou votar no Chuchu, porque não encontrei meu título de eleitor no lixo e quero sinceramente que eu, você, o pessoal da faculdade, do trabalho, do meu bairro, da minha cidade, estado e todos deste Brasil tenham direitos e oportunidades iguais.
Eu reafirmo meu voto no Lula, sem medo de ser feliz!
Abraços!!!!
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