30 setembro, 2010

Tucano barra 6ª pesquisa no Paraná. E já mira a 7ª

Tucano barra 6ª pesquisa no Paraná. E já mira a 7ª

A onda da calúnia e a perda da dignidade


Nesta reta final de campanha, o que não faltam é mensagens circulando pelos e-mails com difamações, denuncias, preconceitos e aberrações. Ontem recebi um que dizia que um Porteiro pediu para ser mandado embora para o patrão, alegando que desempregado e com os "bolsas esmola" ele ganharia mais... ora, ora, ora... mandei a resposta abaixo e compartilho para meus milhões de leitores (rs):

Meus Amigos,

O desespero pode tirar a dignidade das pessoas, e sinto realmente muita tristeza pela falta de senso político e social de grupos mal intencionados por disseminar calunias e denuncismos às vésperas de eleições, alheio às discussões sérias e ao bem comum.

Espanta-me que setores da sociedade achem justo um trabalhador ganhar R$ 830,00 mensais (com hora extra), e acharem injusto benefícios sociais para dar dignidade mínima para o cidadão. É claro uma inversão de valores, pois
o patrão tem que esfolar o funcionário, com salários medíocres e esforços sobrenaturais, principalmente se ele for porteiro, faxineiro, zelador, lixeiro e por aí vai, pois estes são insignificantes, frutos da escravidão
e do coronealismo, que nunca deveriam ter tido o direito de votar, comer ou ir no cinema. A margem da sociedade foi idealizada pelos senhores feudais para isto. Para que gás? Para que transporte?

Respeita-se mais os valores impostos pela imprensa e mídia, dominada por grupos interessados em consolidar o poder, do que na humanização e respeito às pessoas. Todos tem o mesmo valor, do patrão ao empregado, do presidente ao desempregado, tem lugar e pode-se conviver em harmonia.

Impossível imaginar que um governo com aprovação de 80% das pessoas, que sejam formados de somente nordestinos e beneficiários de bolsas. Será injusto também as bolsas de estudo e os financiamentos estudantis? Será injusto o aumento ao crédito para as pessoas de todas as classes terem direito de comprar a casa própria? Será que estabilidade econômica é tão somente sorte?

Por fim, preconceito e descriminação é o maior mal da sociedade, por isto peço que indiferente da escolha política, pois a democracia nos permite identificar e depositar nossos anseios a quem quisermos, reflitam e não
dêem espaço para ignorantes e preconceituosos disseminarem a intolerância pelos meios de comunicação.

Sou a favor da expressão de ideias e a construção de uma sociedade mais justa, igualitária e feliz, pois somente por isto fale-se viver. (JFF)

Ilustração do blog Conversa Afiada, vale muito a pena acompanhar o Paulo Henrique Amorim (http://www.conversaafiada.com.br/brasil/2010/09/30/ligacao-serra-gilmar-pode-melar-a-eleicao/)

29 setembro, 2010

De Cara Nova

A meta é disciplina!

Fazendo escolhas

De Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi

A premissa da democracia eleitoral, na sua acepção contemporânea, é a liberdade do eleitor para definir seu voto. Cada um faz o que quer com ele. Consulta a consciência, toma sua decisão e a deposita na urna (no Brasil, digita o número de seu escolhido). Uns não são mais livres que outros. Ninguém é obrigado a votar como os demais e nem a selecionar seus preferidos da mesma maneira que os outros.

Não cabe discutir critérios de escolha. Não existe o modo certo de votar e o errado. Algumas pessoas definem seu voto levando em conta elementos que outras desconsideram. É possível que uns pensem ser fundamental algo que outros têm certeza que é irrelevante. Só os muito arrogantes acham que todos deveriam usar o critério deles.

Daqui a três dias, faremos uma eleição presidencial diferente das anteriores. Nela, os eleitores estão sendo convidados a pensar de uma nova maneira: avaliar os candidatos pelo que representam e não pelo que são no plano pessoal.

Nossa cultura política sempre privilegiou a personalidade e as características pessoais dos candidatos como elementos diferenciadores na tomada das decisões de voto. Até hoje, quando se pergunta, nas pesquisas de opinião, o que é mais importante na hora de escolher determinado indivíduo para um cargo (especialmente no Executivo), a maioria dos entrevistados responde sem titubear: “a pessoa do candidato”.

Essa primazia da dimensão individual leva a que as campanhas se transformem em passarelas nas quais os candidatos desfilam, disputando os olhares e as preferências. Qual o mais preparado? Quem fala melhor? Qual o mais “preocupado com os pobres”, o mais “maduro”, o “mais honesto”?

É um modelo de decisão ingênuo e estressante para o eleitor comum. Que certeza pode ter de que consegue enxergar o “íntimo” dos candidatos, seus verdadeiros sentimentos? Como escolher, se todos se metamorfoseiam naquilo que procura? Se todos se exibem de maneira parecida e falam coisas praticamente idênticas (pois todos mandam fazer pesquisas de “posicionamento” e se orientam por elas)? Como separar o joio do trigo, o bom candidato do mau?

Nestas eleições, muita gente ainda pensa dessa maneira, mas há uma nova, posta na mesa pelo principal ator de nosso sistema político. Nela, o foco da escolha deixa de ser o artista e passa a ser a obra.

Por muitas razões, Lula foi levado a apresentar essa proposta ao eleitorado. Talvez porque não tivesse, do seu lado, a opção da candidatura de um “notável”, talvez porque calculasse que teria mais sucesso desse modo, ele terminou propondo uma mudança na lógica da escolha. Ao invés de cotejar biografias e personalidades, que a eleição fosse uma comparação dos resultados obtidos pelos partidos no exercício do poder.

Goste-se ou não de Lula, essa proposta é uma inovação em nossa cultura. Ela oferece uma base racional para a escolha, na qual várias ilusões saem de cena. O mito do “herói solitário”, do “candidato do bem”, capaz de reformar sentimentos e prioridades, é apenas um, mas dos mais importantes. Chegou a eleger um presidente há 20 anos.

A candidatura Dilma foi sempre o inverso disso. Ela convocou as pessoas a considerá-la pelo que representava, não por seus atributos pessoais. Sua mensagem era clara: “Olhe para o que proponho, para quem está comigo, para o que fizemos no governo, de certo e de errado. Faça o mesmo com meu adversário principal. Compare e decida”.

Serra começou a campanha acreditando que os eleitores continuariam a pensar com o modelo de antes, baseado na disputa de biografias. Sua experiência e história bastariam para elegê-lo, se isso ocorresse.

Visivelmente, a hipótese não se confirmou. A vasta maioria do eleitorado até admite que seu currículo é melhor que o de Dilma. Mas pensa em votar levando em conta outros fatores.

Nestes últimos dias, uma nova encarnação da forma antiga de escolher está em voga: a “onda Marina”. Ela tem tudo que conhecemos de algumas candidaturas do passado: a “solidão”, a “sinceridade”, a “boa vontade”. Perguntada sobre como governaria, é franca: com os “bons” dos dois lados. Ou seja, está sozinha.

Só um romantismo quase pueril acreditaria que é possível governar assim. Mas é tão arraigada a fantasia a respeito das “pessoas de bem que mudam o mundo da política” que muita gente, especialmente na classe média metropolitana, se seduz por ela.

O “povão”, mais realista, olha isso tudo com descrença.

Extraido do Blog do Noblat.